29 de abr. de 2008
pág. 06
Câmara ao nível do chão, apontada para o centro da estrada.
Passam dois carros de alta cilindrada com os pneus a queimar.
Câmara sobe lentamente mantendo os carros em plano que desaparecem no escuro.
Aparece rapariga a tapar o plano com as costas ainda com o cabelo a esvoaçar pelo movimento dos carros.
Rapariga faz sinal para outros carros seguirem os que já vão na frente, saltando par as traseiras de uma carrinha de caixa.
RAPARIGA
[ Gritando ] Força malta! Eles já devem ter chegado. Ah ah ah! Estou doida! O meu namorado deve ser o que foi mais longe.
A segunda vaga de carros aproxima-se de uma coluna de fumo e com os faróis ilumina os dois carros esmagados contra uns separadores de cimento perpendiculares à estrada.
A rapariga muda de uma expressão contente para uma expressão assustada e começa a berrar.
RAPARIGA
[ Gritando ] Eu não acredito! Que foi que se passou? Onde está o John? Porra, saiam do caminho, quero ver onde está.
Passa por um carro sem ninguém no lugar e sem vidro da frente.
Fica parada de mãos nas ancas a olhar para o outro carro onde está o namorado inconsciente com metade direita do corpo a arder.
RAPARIGA
Eu não acredito nisto. Este sacana está ainda ali, nem saiu do banco. Que tristeza...
No meio do escuro, e do outro lado dos separadores de cimento, aparece outro piloto a rir, com a roupa rasgada, a caminhar na direcção do acidente.
PILOTO 2
Então malta, viram o meu vôo? Podem certificar-se da minha distância através das marcas do capacete no asfalto, mais uns metros à frente [ Rindo ]
RAPARIGA
John, já podes saír! O outro tipo conseguiu fazer o que tu não conseguiste.... Que vergonha!
John abre os olhos, tem um pasmo e começa a rir. Vira a cabeça para a namorada e mostra a parte direita da sua cara queimada, que se regenera em segundos.
JOHN
Ainda bem que apostei a minha namorada com o vencedor.... Esta tipa não se cala!
TODOS NA ESTRADA
[ Soltam gargalhadas ]
fade out
28 de abr. de 2008
pág. 05
Plano picado sobre o centro do loft. Pelo aspecto parece que já não é arrumada há algum tempo.
A porta abre-se do lado direito do ecrã, e a câmara acompanha as cabeças de Moe (que abre a porta), Rita e Lorenze de seguida, um tempo depois Thomas, que olha em volta para a decoração de Moe.
MOE
Não liguem à desarrumação.... Estou a fazer uma tese sobre a Teoria do Caos, ao mesmo tempo que factores... Bem... Deixem lá
THOMAS
Hum! Er... Moe! Sempre pensei que fosses o tipo de gajo que arruma tudo, até as canetas por ordem cromática do arco-íris. Mas afinal és mais desleixado do que eu! Bem Rita, caso um dia vocês dois juntem os trapinhos, não venhas põr as culpas em cima de mim. Eu não sabia que ele era assim.Que fique na acta que também eu fui enganado.
RITA
Thomassss?!
Thomas levantas as mãos no ar num acto de rendição.
Lorenz senta-se numa único espaço livre no meio das pilhas de papeis.
LORENZ
Desculpem lá a animação, mas o meu tempo urge. Por muito que gosto de partilhar momentos com a juventude, eu estou em pulgas para saber o motivo de tanto alarido. O que foi que descobriram assim tão bom, que me obrigaram a saír da minha ilha nas Caraíbas?
MOE
Tem razão Sr. Lorenze, só estou a acabar de fazer upload da base de dados da universidade. Eu pedi que viesse a minha casa para mostrar os resultados do nosso estudo, porque a partir de agora, a coisa ficou séria e seria muito negativo se esta informação se espalhasse por aí, sem saber em que mãos poderia acabar.
Não vou fazer perder mais tempo. Olhe para a Deus a trabalhar.
Câmara está em grande angular sobre o teclado do computador de Moe.
Moe estica a mão esquerda, com o dedo indicador para baixo, desce lentamente para uma tecla que clica e afasta, imitando um movimento de um mágico a retirar o coelho da cartola.
MOE
Tchan nam!
Lorenz aproxima-se da câmara, semi-cerrando os olhos, para poder ler o que está no ecrã do computador ficando a cara a ocupar quase o plano todo.
LORENZ
Estão a gozar comigo? Eu lá sei o que são este algarismos todos a correr! Alguém me explique o que se passa de uma vez por todas?
Lorenz afasta-se novamente da câmara ficando o resto dos personagens a aparecer no plano a olhar para a câmara.
Só Rita olha para Lorenze, colocando de súbito a mão nas suas costas.
RITA
Já não tem nada. Eliminámos os múltiplos focos de cancro na sua amostra de sangue. Está curado, o sangue do senhor neste momento é um verdadeiro milagre. Está totalmente "esterilizado". O seu sangue está 100% puro.
pág. 04
Moe! Juro! Se vais fazer uma partida. Eu já vim aqui lixado da vida e não estou para aturar estas mer…
Thomas perde a fala quando se senta e olha para uma série de números numa tabela no monitor do computador. Volta a pegar nos óculos que tinha guardado e segura-os na cara com ambas as mãos e durante uns segundos, só mesmo o movimento dos olhos acusam que está activo.
Plano aperta nas lentes dos óculos e foca nos números verdes, num fundo preto, reflectidos pela luz do monitor.
A imagem dos números fazem “scroll”
Fade out para:
6. INT. AEROPORTO
Fade in para:
Quadro de chegadas, com a alteração das horas de chegadas dos voos.
Plano meio corpo em Rita com um papel escrito com o nome Mr. Lorenz em frente ao peito.
Rita tenta desviar o olhar entre as pessoas que saem da porta de chegada procurando por alguém e olhando o relógio com uma expressão aflita.
LORENZE
Menina Rita, suponho?
Plano das costas de Rita, que se vira e fica frente a frente com um senhor na casa dos 70 de fato branco e chapéu de palha com um ar simpático e sorridente.
RITA
Senhor Lorenze, como é que saíu sem eu o ver chegar?
LORENZE
Então, menina Rita?! É assim que se recebe um bom e velho amigo?!
Que raios, andei contigo ao colo enquanto o teu pai estava diante do quadro de argila, coberto de pó de giz.... Eish! O que ele trauteava, à medida que dançava de um lado para o outro, durante a escrita das equações e setas, e mais uns símbolos estranhos!
Ah! Que alegria que era........ Bem deixemo-nos de recordações, passemos ao futuro. Não foi para isso que contactou? O futuro?
RITA
Senhor Lorenze, tenho um táxi à nossa espera
Rita abraça Lorenze alegremente.
LORENZE
Disparate, menina Rita. Disparate. Eu tenho a minha limousine, dispense o taxista e venha comigo. temos muito que falar pelo caminho.
Plano de costas dois. Caminham para a porta do aeroporto afastando-se da câmara.
Conte-me novidades. Namorado? Noivo? Filho? Não me diga, filhos? Quero saber de tudo.
Eu fiquei responsável por si, e quero saber de tudo.
RITA
O senhor não mudou nada, nem mesmo com a idade...
Rita coloca o braço à volta do ombro de Lorenze.
23 de abr. de 2008
pág. 03
Plano apertado no retrovisor do carro onde baloiça um boneco de um gnomo com um sorriso matreiro.
Pelo som do motor, sabemos que vai a grande velocidade.
A expressão de Thomas é de descontracção, vai assobiando enquanto conduz apenas com uma mão no volante.
À medida que passa pelas ruas da cidade, em direcção aos arredores onde está o laboratório da universidade, repara nos sinais de direcção, que estão desfocados.
Abre o porta-luvas do carro e tira os óculos com lentes graduadas, tentando tapar a cara com a mão ao passar por outros carros, com vergonha das armações que está a usar.
6. INT. DA SALA LABOTORIAL DA UNIVERSIDADE
Um casal em volta de um computador que é a única fonte de luz na sala e ambos estão debruçados no monitor.
THOMAS
Que se passa, malta? Porquê tanto alarido? Até parece que não estiveram a fazer noitada aqui no laboratório!
Thomas entra pela porta, arrumando os óculos na sacola que trás pendurada ao ombro.
RITA
Deixa-te de merdas que ainda não me deitei.
Desvia os olhos do computador.
MOE
Anda cá ver isto e abre bem a tua mente!.... Esquece tudo o que te ensinaram nas aulas de ciência! Prepara-te para começares a acreditar na divindade suprema.
THOMAS
Se vocês dois me querem fazer uma partida, para se vingarem do que vos fiz ontem, para ficarem sozinhos como dois pombinhos na gaiola, lembro que a porta do laboratório está programada para abrir ao fim de um quarto de hora.
RITA
Não te preocupes com isso
Olhando para o Moe com ar comprometedor.
MOE
Só não te chamámos mais cedo porque não tínhamos a certeza do que se estava a passar. Mas prepara-te, que a tua ressaca vai tornar-se ainda pior. Ora põe os olhos nisto.
Afasta-se do computador e estende a mão, como para indicar onde ocupar o seu lugar.
pág. 02
4. INT. SALA DA CASA
A imagem está escura não se vê nada. É quando na escuridão aparece um clarão vindo do telemóvel acompanhado com o toque polifónico do tema dos Iron Madem “Man on the edge”.
Sobressaltado, um homem na casa dos 30 levanta-se do sofá mandando o telemóvel ao chão, e pontapeando-o de seguida, sem querer, para baixo de um móvel.
A câmara está do lado oposto, ao nível do chão, por baixo do móvel, e só quando a luz intermitente do ecrã se acende é que vemos os pés descalços do personagem, que se aproxima esticando o braço direito, com a face colada no chão, e espreitando o telemóvel que está em primeiro plano.
Ao agarrar o telemóvel, a sua mão tapa o ecrã, fazendo voltar a escuridão da sala por momentos.
THOMAS
Estou! Que se passa pá? Que horas são?
MOE
Rápido Thomas, vem cá ter! Porra, que merd…
E a chamada cai do outro lado.
THOMAS
Estou? Estou? Hei! Estou? Raios…
Ouve-se os passos de Thonas no chão, e um ruído que soa a um possível embate num objecto de vidro.
Ao acabar de falar e de pousar o telemóvel, abre os cortinados, deixando a luz do sol, já alto, entrar pela sala dentro.
Plano geral da sala, iluminada pela luz que entra pela janela, ficando o Jonas em silhueta, projectando a sua sombra no chão de madeira e percebemos que há uma garrafa de vodka tombada a girar.
pág.01

1. INT. ESCADA DO PRÉDIO – DIA
Alguém sobe umas escadas a passos lentos.
A câmara acompanha os pés, que vão tropeçando nos degraus, fazendo cambalear ainda mais...Mas a pessoa não faz esforço algum para se apoiar, batendo tanto na parede como no corrimão.
Parece embriagada ou drogada, com um olhar fixo em frente, como que determinado e ao mesmo tempo ausente.
Planos apertados na mão e partes da cara do sujeito mostrando pequenas cicatrizes.
Ao bater com a cabeça na parede, faz um pequeno golpe no sobrolho, escorrendo uma gota de sangue até à face, mas algo mais estranho acontece. O sangue pára de descer e acumula-se numa gota maior. É então que a pele da face se abre, como se de um fecho de correr se tratasse, e o sangue entra novamente no corpo, voltando a ferida recentemente aberta a fechar-se, sem deixar qualquer marca.
2. EXT. TERRAÇO DO PRÉDIO – DIA
Ângulo lateral à porta de acesso que abre com o bater do corpo do homem. Acompanhando-o lado a lado sobre a gravilha do chão do terraço, levanta-se pó ao seu passar.
O homem começa a acelerar o passo em direcção ao fim do prédio, que tem um pequeno muro onde acaba por bater com os joelhos com uma força tal, que se ouvem as rótulas a partirem-se numa fracção, antes de começar a caír.
A câmara segue-o na queda do 12º andar abrandando em "slowmotion" na cara sorridente.
3. EXT. PASSEIO DA RUA
O plano a seguir é estático, focado no passeio em frente ao prédio, durante uns três segundos, até ser interrompido pelo embate do corpo do homem, que se estatela no solo com toda a força.
Corta para:
